A árvore de Natal é de origem pagã?
Maria Helena Costa, 25.12.24

E se não for?
E se ...
MARTINHO LUTERO E A ÁRVORE DE NATAL
Existem diversas mentiras, falsas histórias e desconhecimento sobre a origem da utilização da árvore de Natal. A árvore de Natal tem sido relacionada ao paganismo principalmente pelo meio neo-pentecostal e legalista. Tudo isso sem nenhuma fundamentação histórica.
Porém, essa difamação teve início quando os católicos, no século 16, após a reforma protestante e na era pós-moderna pelo marxismo cultural, com claros objectivos de destruir as tradições cristãs.
Uma lenda conta, que São Bonifácio, no século VIII, botou abaixo um carvalho consagrado ao deus Thor e usado para sacrifícios humanos e apontou para um pinheiro, referindo-o como símbolo do amor e da misericórdia do Deus verdadeiro.
Por interessantes que sejam, essas histórias não dizem respeito directamente, porém, ao uso da árvore como símbolo natalino, o que só se verificou no século XVI.
A primeira árvore de Natal, com o significado actual, foi decorada por Martinho Lutero, na Alemanha. Isso é ponto de concordância entre historiadores e estudiosos de crenças cristãs. É importante saber que Martinho Lutero, antes de ser um homem que ensinava assuntos da espiritualidade, era um professor conhecedor de filosofia e mitologia.
Tudo começa quando Lutero, numa noite de inverno, vislumbrou o céu estrelado entre as copas dos pinheiros, na Alemanha. Ao perceber o céu intensamente estrelado, este pareceu-lhe um colar de diamantes em cima da copa das árvores. Conta-se que ele ficou tão extasiado com o espetáculo natural que decidiu arrancar um galho do pinheiro, levou-o para sua casa e tentou reproduzir o que vira lá fora. Ele colocou o pequeno pinheiro num vaso com terra, chamou a sua esposa e os seus filhos e decorou a pequena árvore com pequenas velas acesas presas nas pontas dos ramos. Para a árvore ficar mais bonita e alegre, usou papéis coloridos para enfeitar os seus ramos. Sobre a copa, representou a estrela, que segundo a história, guiou os reis Magos ao local onde estava o menino Jesus, na cidade de Belém.
A família de Lutero ficou maravilhada com a árvore acesa, que lhes parecia ter adquirido vida. Lutero quis reproduzir a noite de Natal dentro da sua casa e mostrar aos seus filhos, como deveria ser o céu na noite do nascimento do Menino Jesus. Este é um dos motivos, pelos quais, muitos países católicos não aceitavam a árvore de Natal, mas só o presépio natalino - motivos religiosos.
A partir desse facto, como estratégia, passaram a associar o costume de Lutero e dos protestantes comemorarem o Natal com o paganismo. Poucos sabem, mas esse foi um dos temas mais acalorados de discórdia entre católicos e protestantes. Durante séculos, o símbolo natalino foi distintivo entre católicos e protestantes. Mas a celebração protestante acabou por "viralizar" na Alemanha, por volta de 1800, tornando-se uma tradição. Já no fim do século 19 a tradição protestante conquistou as salas de estar católicas.
"Os católicos zombavam do culto de Lutero da mesma forma que zombavam do costume da árvore de Natal", explica Döring. Aliás, uma das expressões sarcásticas com que denominavam o protestantismo era "a religião da árvore de Natal", diz Alois Döring- Etnólogo de Bonn.
Em algumas localidades da Alemanha, onde se prima pela tradição, os homens da família vão à floresta buscar a árvore
(reflorestamento), na véspera da noite de Natal, enquanto as mulheres se ocupam com os preparativos da festa.
A primeira árvore pública, exposta numa praça e enfeitada com guirlandas, foi registada no Natal de 1910, em Nova York. Com a propagação do símbolo para além dos limites confessionais, foi desaparecendo gradualmente a tradição protestante e cristã de comemorar o Natal.
No século 19 criou-se o pai natal comercial e isso praticamente sepultou a tradição protestante e cristã do Natal.
Até hoje circula o boato de que esse costume da árvore decorada provinga de culto pagão. Ledo engano. A Martinho Lutero desagradava o apelo sensorial da adoração dos santos na Igreja Católica. Ele queria recolocar Jesus Cristo no centro das festividades.
Fontes:
- Fascinanting Facts about Jesus (by Robert Strand) New Leaf Press.
- Natal - Os Cristãos Podem Celebrá-lo? (by Christian Apologetics & Research Ministry).
- Deutsche Welle dw.de
- Roubado à Ruth Rossini